Natal

Há já alguns anos que um Natal tem para mim um sabor diferente do que tem para outras pessoas.
Este ano este Natal teve muito que contar e se não acredito que o mesmo fique para a memória como sendo um Natal especial, foi um Natal importante.
Estranhei o súbito ambiente intimista que passa uma borracha pelo passado como se tal fosse possível, senti-me um estranho sentado naquela mesa. Não me senti mal, mas pela primeira vez senti claramente que ali não era o meu lugar. Talvez já tenha sido mas já não o é e provavelmente nunca mais será.
E foi no entanto um Natal tranquilo, com algumas certezas de ternura, com algumas promessas de dias melhores, com a calma que dá forma às nossas convicções.
Curiosamente mais tranquilo com as minhas escolhas, sentindo-me menos posto em causa.
Não tenho escrito aqui por vários motivos. O principal motivo é que não me apetece escrever.
Não me apetece analisar o passado, não me apetece conjecturar o futuro e sinceramente também não me apetece descrever o presente.
Não sei explicar mas voltei a “sentir-me vivo”, voltei a sentir alguma da minha paz interior. Sendo mais claro, tomei consciência daquilo que deixei ficar e pela primeira vez senti posta em causa a minha decisão e o resultado foi satisfatório. Pode ser que mais tarde me arrependa das decisões e das mudanças que operei na minha vida mas pelo menos assim vou vivendo e não apenas sobrevivendo ao sabor da maré e dos gostos alheios.
Já tarde na quadra natalícia, mas sentindo muito mais as palavras: um Bom Natal!
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rafael - alentejano
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